Soares, Stefani, Wild, Bia: como foi o 2020 do Brasil no tênis mundial

Soares, Stefani, Wild, Bia: como foi o 2020 do Brasil no tênis mundial
21 de dezembro de 2020 Raquete na Mão
Em Vamos Falar de Tênis

(Foto: Divulgação/US Open)

O ano está acabando e, como sempre, dezembro é o mês de retrospectiva. Enquanto o tênis está parado, esperando para retornar em 2021, ainda cercado de dúvidas por conta da pandemia, vamos relembrar como foi o 2020 dos brasileiros. Quem se destacou, quem ficou abaixo do esperado, quem se aposentou…

SIMPLES FEMININO

Entre as meninas, dois fatos se destacaram ao longo do ano: o retorno de Beatriz Haddad Maia, após suspensão por doping, e a aposentadoria de Teliana Pereira, um dos maiores nomes femininos da história do tênis nacional.

Começando por Bia, a volta foi de extremo sucesso. Após cair para as últimas posições do ranking por conta do tempo em que não pôde jogar, a brasileira consegue fechar o ano na 359ª colocação, já como 2 do pais (Gabriela Ce, 239ª, é a principal brasileira na lista da WTA).

Ao todo, foram seis torneios disputados pela paulista de 24, entre agosto e outubro, todos em Portugal. Ela somou quatro títulos, um vice e uma semi. Foram 27 triunfos e apenas duas derrotas, ambas para a mesma rival, a espanhola Georgina Garcia-Perez.

Agora, a expectativa é pelo próximo passo, tentando saltar ainda mais no ranking. O talento de Bia Haddad vai muito além da 359ª posição, mas ela precisará manter boas condições físicas (terminou 2020 fazendo uma cirurgia na mão) para conseguir recuperar o espaço perdido. Em bom nível atlético, não deve demorar para se aproximar do top 100 novamente.

Palmas para Teliana Pereira, já que 2020 também marcou o fim da carreira da grande pernambucana. Ex-43 do mundo, campeã de dois WTAs em simples, a tenista fechou seu ciclo profissional aos 32 anos. Ela pouco atuou no ano, disputando apenas dois ITFs e uma partida pela Fed Cup, na derrota do Brasil para a Alemanha.

Mas se o 2020 de Teliana pouco trouxe dentro das quadras, a importância dela para a história do tênis nacional já está marcada em letras garrafais. Fez muita coisa e, certamente, seguirá contribuindo de outras formas.

Para finalizar, destaque também para o bom fim de ano de Carol Meligeni. Na última gira da temporada, em três semanas no Egito, conquistou dois títulos e um vice. Ela fecha a temporada como 3 do Brasil, 368 do mundo

DUPLAS FEMININAS

É fato que o Brasil vive fase complicada no tênis, principalmente feminino. Sem representantes no top 200 de simples, com quantidade pequena de meninas jogando, entre outros problemas. Mas, nas duplas, a realidade se alterou um pouco em 2020, graças a Luisa Stefani, que recolocou a bandeira do país nos grandes eventos do tênis.

A tenista de 23 anos, formando parceria com a norte-americana Hayley Carter, manteve o embalo do fim de 2019 (quando conquistou seu primeiro WTA, em Tashkent) e evoluiu muito. Venceu mais um WTA, em Lexington, chegou às fases finais de grandes eventos, como a semi no Premier de Roma e as quartas no US Open, e fechou o ano na 33ª posição do ranking.

Somando simples e duplas, Stefani está bem perto de se tornar a brasileira de melhor ranking na história, dentro da Era Aberta. O recorde é de Maria Esther Bueno, que foi 29ª. Luisa já foi 32ª e, ainda muito jovem, fatalmente irá além do 29º posto no futuro.

Portanto, se o tênis feminino cambaleia no país, Luisa Stefani faz história nas duplas. O 2020 é todo dela nesta categoria.

SIMPLES MASCULINO

(Foto: Divulgação Twitter/Chile Open)

Vamos aos homens. O ano foi de título de ATP para o país, após cinco anos. Thiago Wild conquistou o ATP 250 de Santiago, tornando-se também o mais jovem brasileiro a ganhar um título deste nível, uma semana antes de completar 20 anos. A conquista ampliou a expectativa no paranaense, que é tratado como a grande promessa nacional já há algum tempo, desde o sucesso no juvenil, com título do US Open.

Sua estreia na Davis, perdendo jogo apertado para o experiente e sólido australiano John Millman, também animou. Após o retorno do tênis, passado o período de suspensão do circuito pela pandemia, não foi o ideal, com Wild fechando o ano com sete derrotas seguidas. Ainda assim, ainda não é hora de perder as esperanças. Thiago tem apenas 20 anos e muito tempo para evoluir seu jogo e atingir o patamar esperado.

Outro destaque positivo foi Felipe Meligeni. Talvez, a maior evolução entre os tenistas brasileiros, homens e mulheres, em simples no ano. Seus grandes momentos: tirar set de Dominic Thiem no Rio Open e ganhar o primeiro Challenger da carreira, em São Paulo. Começou a temporada como 391, fecha em 231º, já na região para beliscar quali nos Grand Slams.

Não podemos esquecer do número 1 do país, Thiago Monteiro, único brasileiro no top 100 em simples. Seu grande momento foi chegar à terceira rodada em Roland Garros, melhor campanha da carreira em um Slam. A evolução em seu jogo é clara, embora ainda faltem alguns ajustes para transformar o volume em mais vitórias relevantes.

Foram algumas chances perdidas ao longo do ano, destacadamente em Buenos Aires, quando perdeu as quartas para o português Pedro Sousa, em jogo absolutamente ganhável. No fim, o europeu nem precisou jogar a semi, já que Diego Schwartzman desistiu, e foi direto à final. Seria a chance de Monteiro disputar sua primeira decisão em um ATP.

Por fim, vale falar sobre anos decepcionantes de Thomaz Bellucci e João Menezes. Os dois não renderam bem, tecnicamente, ao longo da temporada. Ambos até chegaram a uma semi de Challenger – Thomaz em Cleveland, João em SP – mas foi pouco. Bellucci chegou a perder em primeira rodada de ITF.

Fica a expectativa para 2021, quando Menezes terá a grande competição da carreira até o momento, já que está classificado para os Jogos Olímpicos por conta do título no Pan-2019, em Lima.

DUPLAS MASCULINAS

Para fechar, a categoria que trouxe a grande conquista do Brasil no ano, com título de Grand Slam. As duplas masculinas, mais uma vez, foram fortes com Bruno Soares e Marcelo Melo entre os melhores do mundo. Bruno, campeão do US Open com o croata Mate Pavic, fechou a temporada como dupla número 1.

Não há como fugir dos mineiros como destaque. Além do troféu em Nova York, Soares foi vice duas vezes em Paris, em Roland Garros e no Masters 1000 da capital francesa. Melo, por sua vez, fez sua última temporada ao lado do polonês Lukasz Kubot e teve como pontos altos os títulos nos ATPs 500 de Acapulco e Viena, além de final no 250 de Colônia.

Para 2021, ambos estarão de dupla nova. No caso de Bruno, seminova. Ele voltará a jogar com Jamie Murray, com quem ganhou Australian Open e US Open em 2016. Melo, por sua vez, formará parceria com o holandês Jean-Julien Rojer.

Marcelo Demoliner, terceiro brasileiro no top 50, jogou ao lado de Matwe Middelkoop em 2020, conquistando o ATP 250 de Córdoba, na Argentina. A dupla também foi vice em torneio do mesmo nível, em São Petersburgo. Eles também não seguem juntos no ano que vem. O gaúcho começa a temporada ao lado do mexicano Santiago González.

Para finalizar, destaque para a nova geração que vem chegando. Mesmo sem focar 100% em duplas, o trio Felipe Meligeni, Orlando Luz e Rafael Matos conseguiu bons resultados ao longo do ano, com títulos em Challengers.

Luz/Matos, inclusive, venceram a fortíssima parceria colombiana Cabal/Farah no Rio Open, em grande atuação dos gaúchos. Os três citados estão entre os 140 do ranking e podem pintar no top 100 se mantiverem as boas campanhas.

Este foi o tênis brasileiro em 2020. Sentiram falta de alguém ou de algum fato? Interajam com a gente nas redes sociais.

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