Gustavo Heide aposta em torneios na Europa para facilitar transição, mas pandemia atrapalha calendário

Gustavo Heide aposta em torneios na Europa para facilitar transição, mas pandemia atrapalha calendário
12 de março de 2021 Raquete na Mão
Em Vamos Falar de Tênis

(Foto: João Pires/Fotojump)

Gustavo Heide, de 19 anos, é um dos principais nomes brasileiros da geração nascida já no século XXI, a partir de 2001. Ele chegou a ser número 16 do mundo no ranking juvenil, disputou Slams e já somou pontos na ATP, ganhando jogos em torneios ITF.

Em 2020, ele viveu seu último ano de juvenil e a expectativa era de já iniciar a transição final para o profissional, categoria a qual ele se dedica 100% em 2021. Porém, veio a pandemia que, primeiro, paralisou o circuito inteiro, e até agora mantém restrições de viagem, dificuldades para organização de torneios etc.

Com isso, o paulista de Ribeirão Preto aguarda melhores oportunidades de viajar para a Europa e, efetivamente, começar sua carreira profissional. As conhecidas dificuldades de transição dos tenistas sul-americanos podem ser superadas, justamente, com viagens frequentes para o Velho Continente. Pelo menos, é o que Heide acredita.

A seguir, confira entrevista exclusiva feita pelo Raquete Na Mão com o jovem. Ele conta um pouco mais de sua trajetória, ídolos e muito mais.

 

Conte, por favor, um pouco de sua trajetória. Quando começou a jogar, melhores momentos no juvenil, onde você treina, quais você considera suas principais características em quadra.

Eu comecei a jogar com cinco anos. Brincava com meu pai e com a minha mãe, fui pegando gosto. Teve uma época que parei e fui só jogar bola. Depois de uns dois, três anos, fui jogar um dia no clube que sou sócio em Ribeirão Preto (Sociedade Recreativa) e me despertou a vontade de voltar. Eu tinha nove, dez anos. Até hoje, não parei.

Treino em Ribeirão Preto mesmo, no CFTRP (Centro de Formação e Treinamento de Tênis), com o Haroldo (Zwetsch), Gesner (Menegucci) e Clayton (Nogueira).

Meus melhores momentos no juvenil, que me deixaram mais feliz, foi quando classifiquei para Roland Garros em 2019, vencendo o Rendez-Vous, torneio que dá convite para a chave, e ano passado, quando entrei no top 20, fui bem no Banana Bowl e na Copa Gerdau. Também joguei o Australian Open e, com certeza, Roland Garros ano passado também, quando avancei duas rodadas na chave principal.

Sobre minhas características, acho que sou muito consistente, isso me ajuda a ganhar vários jogos. Minha direita, em um bom dia, também me ajuda e o saque me salva bastante nas partidas.

Você teve bons momentos no juvenil, inclusive disputando Slams. Qual a sensação e a importância de estar neste ambiente?

Grand Slam, realmente, é outro mundo. Ambiente diferente de todos os torneios. Tive a chance de jogar AO e RG, e foi a maior experiência que tive no tênis. Poder andar do lado dos maiores do mundo, todos estão ali no meio. E também poder jogar nas quadras dos Slams, o que também é fora do normal, não dá para descrever o que eu senti jogando nelas.

2020 foi seu último ano de juvenil. Como a pandemia e a parada atrapalharam a transição para o profissional?

Sim, foi meu último ano juvenil e, com certeza, a pandemia atrapalhou muito, está atrapalhando a transição para o profissional até hoje. Ano passado eu não joguei nenhum Future (torneios ITF) e, com certeza, já era para eu ter jogado vários, para ir pegando um bom nível e subir no ranking.

Agora em 2021, você joga só profissional. Já tem ideia de como organizar o calendário ou ainda é muito incerto o número de torneios e tal? Dá para ter alguma meta de ranking?

Ainda está meio complicado o calendário. Eu até ia para Portugal em março, ia ter uma série de torneios, mas acabou cancelando por conta da pandemia. Agora, estou esperando ter uma sequência grande para eu poder viajar e ficar jogando. Os torneios que têm na Europa estão tendo um ou dois, aí uma semana ou duas de descanso. Para a gente que é do Brasil, não vale a pena ir para jogar só dois. Tem que ter pelo menos uns quatro para valer a pena fazer a viagem. Ainda não sei como vai ser.

A transição costuma ser um desafio maior para brasileiros e sul-americanos em geral. O que você acha que pode ser um diferencial para você?

A transição também não vai ser fácil para mim. Mas eu acho que, se eu conseguir jogar bastante ali na Europa, onde estão os melhores jogadores, creio que consigo uma boa transição para crescer o mais rápido possível. A Europa é o principal para a gente que joga aqui na América do Sul. Ali está a realidade mesmo.

Quem são suas referências no tênis mundial? E no Brasil? Você é de 2002, não acompanhou o auge do Guga ao vivo. Ele é um ídolo? Bellucci, Soares, Melo, que fizeram sucesso mais recente, são inspirações?

No tênis mundial, eu me inspiro muito no Djokovic. Gosto muito do jeito como ele joga. Mas aqui no Brasil, meu ídolo mesmo é o Guga, com certeza. Também gosto do Monteiro, do Bellucci, do Wild, eu me inspiro muito neles. Tem também o Felipe Meligeni, os duplistas.

Vendo eles, a gente sabe que tem potencial para chegar onde eles chegaram e, quem sabe, ser até melhor do que eles. Eles fazem a gente acreditar que é possível chegar.

 

Acompanhe o Raquete Na Mão em todas as plataformas:

Twitter: https://twitter.com/RaqueteNaMaoBR

Instagram: https://www.instagram.com/raquetenamao/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCu_Z7-xQ0ZOJLWqC1E5tvzg

Spotify: https://open.spotify.com/show/6uk1J2DuAijFXfXPDYbR6T

Comentário (1)

  1. Márcio Nascimento 7 meses atrás

    Muito legal essa breve conversa com o Gustavo Heide. É difícil obter informações até dos jogadores já no circuito, imagine dos juvenis que estão em transição para o profissional. Por exemplo, amanhã o brasileiro Matheus Pucinelli de Almeida disputa a final do ITF M15 em Antalya, na Turquia. Não consegui quase nenhuma informação do Matheus na net, ou seja, trabalho bem legal esse. Parabéns.

Deixe um comentário