Ex-top 100, Thiago Alves elogia nova geração brasileira e ressalta importância de investir em bons treinadores

Ex-top 100, Thiago Alves elogia nova geração brasileira e ressalta importância de investir em bons treinadores
21 de maio de 2020 Raquete na Mão
Em Vamos Falar de Tênis

(Foto: João Pires/Fotojump)

Thiago Alves, que completa 38 anos nesta sexta-feira, foi um dos 12 brasileiros a atingir o top 100 do ranking de simples da ATP no século XXI, chegando ao posto de 88 do mundo, em 2009. Um ano antes, enfrentou até mesmo Roger Federer, na segunda rodada do US Open. Também defendeu o país na Copa Davis.

Com um currículo de respeito no cenário nacional, o paulista segue trabalhando pela modalidade. Em 2019, inaugurou, ao lado de Edvaldo Oliveira, a Alves&Oliveira, academia de tênis em São José do Rio Preto. O local trabalha com tênis social, tênis kids e também mantém uma equipe de alto rendimento, focada no profissional.

Deste time, fazem parte dois dos principais nomes jovens do Brasil: Mateus Alves (19 anos e já com título profissional de ITF na carreira) e Natan Rodrigues (18 anos e número 7 do ranking mundial juvenil). Participando da formação dos dois garotos, Thiago faz uma análise positiva sobre a nova geração brasileira, capitaneada por Thiago Wild, que aos 19 anos conquistou o ATP 250 de Santiago, tornando-se o tenista mais jovem do país a ganhar um título de tamanha expressão.

“A geração que está vindo é muito forte, com certeza o Thiago (Wild) é o que vai encabeçar esta transição, esta reformulação do tênis. É um garoto que, com pouquíssima idade, já conquistou um ATP Tour, tem muito potencial e com certeza vai puxar os outros garotos. O Mateus, o Natan, (Pedro) Boscardin, o próprio (Matheus) Pucinelli, João Reis, tem muito jogador. O (Gilbert) Klier também. Vou acabar esquecendo alguns nomes. Mas tem muitos jogadores que têm muito potencial”, afirmou Alves, em entrevista ao blog.

Além de elogiar a nova geração, o ex-top 100 de simples também coloca outro fator como fundamental para a evolução destes jovens, na busca por um lugar de destaque no circuito profissional: “Cada vez mais, a gente está investindo em treinadores. É muito importante que a gente tenha grandes treinadores para fazer a transição. Ex-jogadores que estejam dispostos a viajar, estar no circuito. É isso que vai fazer esses garotos romperem as barreiras”.

Apesar de acreditar nos garotos que estão chegando ao profissional para representar o Brasil, Thiago não vê uma realidade tão diferente da vivida em momentos anteriores do tênis nacional. Para ele, o importante é que os jovens consigam subir no ranking para dar mais destaque ao país na modalidade.

“Tem uma geração forte vindo, mas nada muito diferente de outras décadas. A gente sempre teve grandes jogadores, um ou outro se destacando e puxando os demais. Não acho que a gente está passando por uma fase maravilhosa, mas também não estamos na pior fase que já tivemos. Está sendo feita a transição dentro do natural do tênis brasileiro. Agora tem que tentar trazer mais jogadores para conseguir levar mais nomes entre os 100 do mundo. Faz muito tempo que a gente não tem 4, 5 tenistas entre os 100. Estamos lutando por isso”, destacou.

Sobre a crise de saúde pública que parou o mundo e interrompeu o circuito mundial, Alves sente na pele a dificuldade, principalmente por estar na linha de frente com sua academia, que depende da autorização governamental para voltar a funcionar.

“Realmente, a gente não estava preparado para viver o que estamos vivendo. Está sendo bastante difícil, todos os clubes aqui em Rio Preto ainda estão fechados. Nosso centro vem sofrendo bastante com isso. Os garotos que eram de fora estão nas suas casas, nas suas cidades, porque as coisas estão fechadas na quarentena. Então, realmente, tem sido uma fase bem difícil”, lamentou.

A solução é, respeitando o distanciamento, treinar nos condomínios residenciais: “Os condomínios na cidade estão liberados para jogar e usar a área de lazer, claro que preservando e cumprindo as normas e exigências do isolamento social. Mas tenho conseguido alguns treinos, algumas coisas desta maneira. Mas realmente está sendo uma fase muito complicada e espero que solucione o mais rápido possível”.

Por fim, o ex-tenista se mostra pessimista quanto ao retorno da modalidade (suspensa oficialmente até o fim de julho), e não apenas pela questão de saúde e isolamento social.

“Esse ano de 2020 vai ser bem difícil, enquanto não houver uma solução, não acharem uma vacina ou uma cura para essa doença, para que os tenistas estejam seguros. Até mesmo porque o tênis é um esporte mundial, não é um clube. Por exemplo, um torneio de futebol se mantém dentro de uma região, dentro de um país. O tênis tem a questão de estar viajando pelo mundo inteiro, cada hora o circuito está em um continente. Então acho que vai ser bem difícil este ano. Acredito que vai demorar algum tempo para se reestabelecer, até mesmo pelo problema econômico, a crise vai afetar. Com certeza, vão ter menos torneios, mais difícil captar recurso para fazer os eventos, essas coisas. Então, acredito que o tênis vai acabar sentindo, não só pela insegurança de viajar, mas também pela crise financeira”, finalizou.

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